A conexão entre dois estuários

Quem vive na Amazônia, consegue reconhecer a importância dos estuários que os cercam. Nos estuários, os organismos se reproduzem, se alimentam, e vivem. São os berçários da natureza. Na costa amazônica, os estuários apresentam conexões, os chamados canais de maré ou “furos”, que servem para interligar cada estuário. Nestes “furos” ocorrem trocas de água, transporte de sedimentos, nutrientes, e de biomassa (Ramírez et al., 2012).

Esta conexão e troca de componentes entre os estuários pode ser observada no estudo realizado por Gomes et al. (2020), no Furo Grande; por Araújo & Asp (2013), no Furo Taici, ambos localizados entre os estuários Caeté e Taperaçu, no Pará (Fig. 1). Para avaliar a conexão dos estuários, os autores observaram as variações espaciais e temporais da morfologia e sedimentologia ao longo do canal, além de analisar a variação do nível de água, salinidade, correntes, concentrações de sedimentos em suspensão e transporte de sedimentos.

Figura 1. A localização dos Furos Grande e Taici quais conectam os estuários Taperaçu e Caeté. Fonte: Gomes et al. (2020). 

Os dois estudos observaram uma alta conectividade entre os estuários, porém, ambos canais de maré apresentaram fluxo preferencial do Caeté para o estuário Taperaçu, observado na análise hidrodinâmica e também sedimentar. Na Amazônia, cada estuário está conectado com seus vizinhos por canais de maré, como o Furo Grande e o Furo Taici. Outro exemplo da interação de estuários pode ser observado na conexão entre os estuários Mojuim e Mocajuba (Fig. 2), localizados a esquerda do Taperaçu, muito mais próximo do rio Pará (Corrêa, 2018). Semelhante aos outros dois canais de maré, este canal permite a troca de fluxo entre os estuários durante a maré de enchente e de vazante.

Assim, podemos observar que a presença desses “furos” é extremamente importante para o transporte e a troca de sedimentos finos, nutrientes, biomassa, entre os estuários. Isto fica mais evidente quando analisamos a Amazônia em macro-escala e observamos o maior cinturão contínuo de manguezais do planeta (Souza-Filho, 2005), localizado aqui, na nossa Amazônia.

Figura 2. Mapa de localização dos estuários dos rios Mojuim e Mocajuba, na cidade de São Caetano de Odivelas, e o canal de maré que os conecta. Fonte: Gomes et al. (2020) e Corrêa (2018).

Referências

Araújo Jr, Wilton Pires; ASP, Nils E., 2013. Hydrodynamic connectivity between two macrotidal Amazonian estuaries. Journal of Coastal Research, (65), 1086-1091. https://www.researchgate.net/publication/278192453_Hydrodynamic_connectivity_between_two_macrotidal_Amazonian_estuaries

Corrêa, A. W. R., 2018. Conectividade estuarina amazônica: um estudo de caso entre os rios Mojuim e Mocajuba. 75 f. Trabalho de Conclusão de Curso – Faculdade de Oceanografia, Instituto de Geociências, Universidade Federal do Pará, Belém. http://bdm.ufpa.br/jspui/handle/prefix/852.

Gomes, V. J., Asp, N. E., Siegle, E., McLachlan, R. L., Ogston, A. S., Silva, A. M., Nittrouer, A. C., & de Souza, D. F., 2020. Connection between macrotidal estuaries along the southeastern Amazon coast and its role in coastal progradation. Estuarine, Coastal and Shelf Science, 106794. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0272771419310649

Ramirez, J.A., Poillon, M.S., Gomez, M.A.M., Leon, D.A.S., 2012. Export of materials along a tidal river channel that links a coastal lagoon to the adjacent sea. Brazilian Journal Of Oceanography, 60 (3), 311–322. https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-87592012000300004

Souza-Filho, P.W.M., 2005. Costa de Manguezais de macromaré da Amazônia: Cenários morfológicos, mapeamento e quantificação de áreas usando dados de sensores remotos. Revista Brasileira de Geofísica, 23 (4), 427–435. https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-261X2005000400006

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